Resenha | Mil Beijos de Garoto
Amei os primeiros capítulos, quando Poppy e Rune eram ainda crianças. Amei o amor inocente e puro, as declarações fáceis e o surgimento da ideia dos mil beijos de garoto. Mas, então, quando eles cresceram, senti que o amor foi ficando forçado e, as declarações, repetitivas.
Poppy é um clichê extremo que, por sorte, eu adoro. Ela é extremamente feliz, amante da vida e dos pequenos momentos de alegria, apaixonada por tudo e todos, esbanjando uma aura de euforia. E, é claro, ela não se abala com a notícia de que está morrendo. Apesar de amar o clichê, simplesmente por ele me inspirar a ser, de fato, mais feliz e aproveitar mais os momentos, sinto que ele tem que ter limites. Poppy não ficou triste por si mesma em nenhum momento. Ela aceitou a morte quase como se fosse algo rotineiro, simples, nada demais. Entendo que essa aceitação acaba ocorrendo, mas as pessoas não são perfeitas, não são 100% altruístas ou positivas. As pessoas tem momentos de fraqueza, e Poppy não tinha, o que me incomodou. Assim, ela me pareceu muito irreal.
Rune é outro clichê, o famoso bad boy. Não consegui me conectar com ele como pessoa, apenas como alguém que amava Poppy. No geral, esse foi um dos meus maiores problemas com o livro: o foco absurdo no romance. Não me entendam mal, amo romances, sou uma pessoa extremamente romântica e que acredita em amores intensos e de explodir o coração. Mas também acredito nos outros amores, da família e dos amigos. Poppy e Rune se isolavam tão intensamente, para ficarem sozinhos, que deixaram pra lá as outras pessoas de suas vidas. Não conhecemos nada sobre nenhum outro personagem. Eles estão lá simplesmente, como se fossem vazios, sem personalidades, sem importância. Sinceramente, eu ficaria bem chateada se fosse amiga de um deles.
Mas, realmente, o que mais me incomodou foi o tom extremamente meloso do livro. Não se se vocês perceberam, mas Rune e Poppy não falavam de nada que não fosse o próprio amor ou a morte. Eles repetiam os mesmo elogios e os mesmos "mantras" centenas de vezes por dia. Sou muito fã de um amor simples e real. Acredito que tudo em exagero é ruim. Então, acho que as palavras repetidas sem moderação, sem ser em momentos especiais, perdem seu sentido. "Até o infinito" e "Para sempre e sempre", o tempo todo, perdem o significado. Conversar mil vezes por dia sobre como vocês se amam é, simplesmente, chato. O que, no início, achei um amor, uma fofura, passou a ser muito irritante.
Sei que parece que odiei o livro, mas não. Acho que ele tem mensagens importantes sobre amar e ser amado, sobre a vida e os momentos. Na verdade, acho que esse livro é sobre a importância dos momentos, sobre saber apreciá-los e garantir que eles sejam percebidos. Isso é algo que tento levar para a minha vida, e gosto que tenha sido tratado de uma maneira bonita no livro.
"Por que é necessário o fim de uma vida para se aprender a apreciar cada dia? Por que precisamos esperar até ficar sem tempo para começar a conquistar tudo o que sonhamos, quando um dia tínhamos todo o tempo do mundo? Por que não olhamos para a pessoa que mais amamos como se fosse a última vez que a vemos? Por que, se olhássemos, a vida seria tão vibrante. A vida seria tão verdadeira e completamente vivida."
Também gostei bastante da questão dos beijos. Achei legal Poppy ter deixado o pote de mil beijos para Rune, e odiei o fato de ele não ter preenchido nenhum. Mesmo assim, acho que a ideia foi legal, e gostei que isso conectava Poppy a sua avó. A ideia das lanternas com cada beijo também foi fofa, e, finalmente, pudemos ver um pouco do relacionamento de Rune com outras pessoas, como seu irmão e seus amigos.
Consigo entender porque muita gente venera esse livro, mas, infelizmente, acho que ele não foi feito pra mim.
Vocês já leram? O que acharam?
Beijos,
Ju
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