quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Resenha | Dumplin'

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Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.
Oi, amores! Hoje tem resenha desse livro que todo mundo tem amado: Dumplin.

Esse livro é sobre autoaceitação. Sobre a visão que temos de nós mesmos. Mas não de um jeito simplificado. Vemos muitos livros que deixam de lado a complexidade da auto estima e do pensamentos sobre si mesmo, trazendo personagens que são irrealisticamente (?) confiantes ou com excessiva auto depreciação. Willowdean é real, pois vê que nada pode ser preto e branco, e que, querendo ou não, os outros e suas palavras podem machucá-la. Ela não é invencível. É uma garota confiante com inseguranças, que tem dias ótimos e dias péssimos. O importante, conclui junto com Will, é aprender que a única pessoa que tem que gostar de você, é você mesmo. E isso não quer dizer tacar um foda-se para o resto das pessoas.

A escrita da autora é muito jovial, descontraída e sincera. Will tem pensamentos realistas e lida de maneira realista com as situações. Ela é muito real, pois consegue passar suas angústias, frustrações e inseguranças com clareza, fazendo com que o leitor sinta uma identificação absurda. Gostei muito do fato de o tema não ter sido romantizado, como poderia ter sido.Todos os seus relacionamentos com os amigos, garotos e família eram sinceros. E ela não é perfeita. Durante o livro, percebemos que algumas de suas visões estão certas, mas, outras, não. As vezes, sabotamos nossos próprios relacionamentos por termos visões distorcidas de nós mesmos e dos outros. As vezes, nos privamos de viver coisas que parecem fora do nosso alcance, simplesmente por não nos encaixarmos no padrão.

A evolução de Will acontece de maneira muito real. Ela aprende com seus erros, deixa o orgulho de lado e se permite mudar de opinião. Vemos uma oscilação do seu nível de confiança, que diminui abruptamente, e então vai crescendo lentamente, com períodos de insegurança que são, simplesmente, naturais.

"As vezes, fingir que a gente é capaz de fazer uma coisa é meio caminho andado."

Assim, Will percebe que sua coragem pode vir do fato de ela tentar ser corajosa. Sua autoconfiança vem da sua iniciativa de tentar se aceitar. Suas novas experiências virão da sua tentativa de acreditar que pode conseguir.

"As vezes, desconrir quem você é implica entender que o ser humano é um mosaico de experiências."




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