Resenha | Proibido
"Como algo tão errado pode parecer tão certo?" Partimos da premissa de que, sim, é algo errado. Se não fosse, a frase seria ao contrário ("como algo que parece tão certo pode ser errado?"). Entendem o que quero dizer? Achei que me sentiria desconfortável lendo esse livro, mas não. É impossível evitar o conflito que é criado dentro de você, a esperança de que os dois possam ficar juntos e o medo por não ser considerado certo. É polêmico, te faz questionar.
Lochan e Maya não são irmãos. Jamais foram criados como tal, ou tiveram esse tipo de relação. Eles sempre foram amigos, iguais, companheiros, juntando-se para lidar com a situação difícil de sua família. Eles são os pais dessa família, quase um pai e uma mãe para as crianças, pois precisam agir assim. As circunstâncias os aproximaram assim, de maneiras não convencionais.
Não estou dizendo que considero certo, normal, ou que deve ser convencional. Mas estou dizendo que há situações e situações, e devemos analisá-las sem o julgamento pré- determinado. Vale a pena impedir o amor de duas pessoas, causar o sofrimento delas, de uma família inteira, apenas para manter os bons costumes e a moral?
"Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir"
Essa é a frase que inicia o livro, e o representa muito bem: é impossível moldar seus sentimentos para encaixarem-se nos moldes sociais aceitos. Por que deveríamos considerar errado algo que é consensual, entre pessoas da mesma idade, e que não está machucando ninguém? Pois é incomum. Pois causa desconforto. Pois não costuma acontecer.
A escrita da autora é maravilhosa, e é por causa dela que o livro é tão sofrido. Ela passa os sentimentos com uma profundidade absurda, fazendo com que seja impossível não se conectar aos personagens, não sentir seus medos, vontades, insegurança e o seu amor, por mais que seja incomum. Ninguém vai ler esse livro sentindo nojo, repulsa ou desconforto, pois estamos lendo pelo ponto de vista de duas pessoas apaixonadas. Eles não se sentem como irmãos, não se veem com essa relação, não agem como se fossem.
Ainda não sei o que sinto. É triste, ver o amor dos dois ser considerado tão errado. Mas também é impossível simplesmente torcer para que fiquem juntos, sem pensar nas consequências. Não me apeguei apenas a Maya e Lochan, mas a toda a família, Willa, Tiffin e Kit. Crianças que já passaram por tantas dificuldades, por tantos abandonos. O relacionamento que mais me partiu o coração, mais que o de Maya e Lochan, foi o de Kit e Lochan. Irmãos que não puderam ser realmente irmãos, pois as circunstâncias o forçaram a ser mais, pai e filho, e isso traz consequências imensuráveis.
Não sei se é um livro que todos conseguiriam ler, pois é pesado, é tenso, a realidade do relacionamento sempre pairando sobre as páginas. Mesmo assim, acho que gostei. É diferente, não se compara a nenhum outro, talvez, porque ninguém teve coragem de tocar nesse assunto. O único tipo de amor que jamais é comentado, mais condenado do que os relacionamets abusivos ou entre pessoas com enormes diferença de idade. Faz você pensar, no mínimo. Por que deixamos que nossa moral ultrapassada guie tanto nossos julgamentos e nos faça condenar tanto duas pessoas cujo amor não faz mal a ninguém, nem a elas mesmas? Acho que fica a reflexão.
Vocês já leram esse livro? Me contem o que acharam!
Beijos,
Jú
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