terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Resenha | A Lógica Inexplicável da Minha Vida

  No comments    
categories: 
Salvador levava uma vida tranquila e descomplicada ao lado de seu pai adotivo gay e de Sam, sua melhor amiga. Porém, o último ano do ensino médio vem acompanhado de mudanças sobre as quais o garoto não tem nenhum controle, como ímpetos de raiva que ele não costumava sentir. Além disso, Salvador tem que lidar com a iminente morte da avó, com uma tragédia repentina que acontece na vida de Sam e com o fato de seu pai estar se reaproximando de um ex-namorado. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, que vão do luto ao amor e da amizade à solidão, Sal passa a questionar sua própria origem e identidade, e tenta encontrar alguma lógica para a sua vida — uma tarefa que parece quase impossível.
Oi, oi, gente! Tudo bom com vocês? Hoje vim fazer a resenha de um livro muito amorzinho, chamado A Lógica Inexplicável da Minha Vida. Este é o segundo livro de Benjamim Alire Sáenz, o autor de Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo. Sou apaxonada pela história de Ari e Dante, então não esperava menos deste livro.

Convenhamos que, ao ler a sinopse desse livro, sabemos muito pouco sobre a história de fato. Acho que isso acontece porque o livro não é sobre um evento específico, mas sobre um período da vida de Salvador. Por mais que ocorram mudanças marcantes e significativas, é apenas um período em especial da vida de alguém. Este livro é, realmente, sobre as mudanças internas, os sentimentos que acompanham o crescimento e amadurecimendo, e o relacionamento de Salvador com sua família e amigos.

A escrita do autor é bem diferente. É poética, mas simples. Não há enrolação para dizer algo ou expressar certos sentimentos, é algo muito direto e até inocente, com uma linha de pensamentos bem simplificada, mas, ao mesmo tempo, profunda. No começo, acho que isso pode causar certa dificuldade para se conectar com os personagens, mas, até o final do livro, garanto que isso não vai ser um problema.

Todos os personagens são muito bem construídos, com personalidades únicas. Mesmo passando por eventos semelhantes na vida, cada um lida de maneira diferente, se expressa com uma singularidade incrível. E todos são muito cativantes. Me apaixonei por todos eles, e pelos relacionamentos entre eles. O meu favorito foi o de Sam e Salvie. Acho que há certa expectativa para que a amizade se torne um romance, mas, ainda bem, isso não acontece. Eles tem um relacionamento maravilhoso de irmãos, e é palpável o amor que há entre eles, a sinceridade e a cumplicidade. Todo o livro traz esse amor, essa atmosfera de carinho, preocupação, saudades de tempos mais simples, força para lidar com as dificuldades e encontrar a felicidade.

Salvie é um ótimo narrador. Personagens principais podem ser extremamente chatos, mas Salvador consegue ser real, sem ser irritante. Ele se preocupa com todos ao seu redor, ao mesmo tempo que lida com o conflito interno em si. Um conflito muito justo, aliás, que não parece forçado ou dramático demais.

Admito que, no início, achei a história lenta, e não consegui me envolver bem. Mas então, do meio pra frente, me apaixonei completamente pelos personagens e pelos acontecimentos de suas vidas. O autor trata de temas polêmicos e importantes de uma maneira muito sutil, sem drama, sem necessidade de causar mais polêmica. Ele simplesmente fala dos assuntos com naturalidade, o que eu achei incrível. É um livro que te faz pensar sobre a vida, em todo o amor que há nela. Te faz refletir sobre os caminhos, as possibilidades, os momentos, as pessoas. Te faz compreender um pouco como a vida tem, de fato, uma lógica inexplicável. Tem uma leveza, uma fluidez. As coisas acontecem, e fazem você sentir coisas novas, as vezes positivas, as vezes negativas. De qualquer maneira, você tem que saber lidar. O modo como você lida, como você reage, determina a influência que elas tem na sua vida. Determina o rumo que você escolhe tomar. Determina quem você escolhe se tornar.

"A vida tinha suas estações, e a estação do desapego sempre chegaria, mas havia algo muito bonito naquilo, no desapego. Folhas eram sempre graciosas quando caíam da árvore."

"Por vezes o que chamamos de lógica é algo superestimado."

"A vida tem uma lógica própria. As pessoas falavam sobre a estrada da vida, mas eu acho que é bobagem. Estradas são lisas e asfaltadas, e têm placas que dizem para que lado se deve seguir. A vida não é nada parecida com uma estrada."


0 comentários:

Postar um comentário