quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Resenha | Dumplin'

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Gorda assumida, Willowdean Dickson (apelidada de Dumplin’ pela mãe, uma ex-miss) convive bem com o próprio corpo. Na companhia da melhor amiga, Ellen, uma beldade tipicamente americana, as coisas sempre deram certo... até Will arrumar um emprego numa lanchonete de fast-food. Lá, ela conhece Bo, o Garoto da Escola Particular... e ele é tudo de bom. Will não fica surpresa quando se sente atraída por Bo. Mas leva um tremendo susto quando descobre que a atração é recíproca. Ao contrário do que se imaginava – a relação com Bo aumentaria ainda mais a sua autoestima –, Will começa a duvidar de si mesma e temer a reação dos colegas da escola. É então que decide recuperar a autoconfiança fazendo a coisa mais surreal que consegue imaginar: inscreve-se no Concurso Miss Jovem Flor do Texas – junto com três amigas totalmente fora do padrão –, para mostrar ao mundo que merece pisar naquele palco tanto quanto qualquer magricela.
Oi, amores! Hoje tem resenha desse livro que todo mundo tem amado: Dumplin.

Esse livro é sobre autoaceitação. Sobre a visão que temos de nós mesmos. Mas não de um jeito simplificado. Vemos muitos livros que deixam de lado a complexidade da auto estima e do pensamentos sobre si mesmo, trazendo personagens que são irrealisticamente (?) confiantes ou com excessiva auto depreciação. Willowdean é real, pois vê que nada pode ser preto e branco, e que, querendo ou não, os outros e suas palavras podem machucá-la. Ela não é invencível. É uma garota confiante com inseguranças, que tem dias ótimos e dias péssimos. O importante, conclui junto com Will, é aprender que a única pessoa que tem que gostar de você, é você mesmo. E isso não quer dizer tacar um foda-se para o resto das pessoas.

A escrita da autora é muito jovial, descontraída e sincera. Will tem pensamentos realistas e lida de maneira realista com as situações. Ela é muito real, pois consegue passar suas angústias, frustrações e inseguranças com clareza, fazendo com que o leitor sinta uma identificação absurda. Gostei muito do fato de o tema não ter sido romantizado, como poderia ter sido.Todos os seus relacionamentos com os amigos, garotos e família eram sinceros. E ela não é perfeita. Durante o livro, percebemos que algumas de suas visões estão certas, mas, outras, não. As vezes, sabotamos nossos próprios relacionamentos por termos visões distorcidas de nós mesmos e dos outros. As vezes, nos privamos de viver coisas que parecem fora do nosso alcance, simplesmente por não nos encaixarmos no padrão.

A evolução de Will acontece de maneira muito real. Ela aprende com seus erros, deixa o orgulho de lado e se permite mudar de opinião. Vemos uma oscilação do seu nível de confiança, que diminui abruptamente, e então vai crescendo lentamente, com períodos de insegurança que são, simplesmente, naturais.

"As vezes, fingir que a gente é capaz de fazer uma coisa é meio caminho andado."

Assim, Will percebe que sua coragem pode vir do fato de ela tentar ser corajosa. Sua autoconfiança vem da sua iniciativa de tentar se aceitar. Suas novas experiências virão da sua tentativa de acreditar que pode conseguir.

"As vezes, desconrir quem você é implica entender que o ser humano é um mosaico de experiências."




terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Resenha | A Lógica Inexplicável da Minha Vida

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Salvador levava uma vida tranquila e descomplicada ao lado de seu pai adotivo gay e de Sam, sua melhor amiga. Porém, o último ano do ensino médio vem acompanhado de mudanças sobre as quais o garoto não tem nenhum controle, como ímpetos de raiva que ele não costumava sentir. Além disso, Salvador tem que lidar com a iminente morte da avó, com uma tragédia repentina que acontece na vida de Sam e com o fato de seu pai estar se reaproximando de um ex-namorado. Em meio a esse turbilhão de sentimentos, que vão do luto ao amor e da amizade à solidão, Sal passa a questionar sua própria origem e identidade, e tenta encontrar alguma lógica para a sua vida — uma tarefa que parece quase impossível.
Oi, oi, gente! Tudo bom com vocês? Hoje vim fazer a resenha de um livro muito amorzinho, chamado A Lógica Inexplicável da Minha Vida. Este é o segundo livro de Benjamim Alire Sáenz, o autor de Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo. Sou apaxonada pela história de Ari e Dante, então não esperava menos deste livro.

Convenhamos que, ao ler a sinopse desse livro, sabemos muito pouco sobre a história de fato. Acho que isso acontece porque o livro não é sobre um evento específico, mas sobre um período da vida de Salvador. Por mais que ocorram mudanças marcantes e significativas, é apenas um período em especial da vida de alguém. Este livro é, realmente, sobre as mudanças internas, os sentimentos que acompanham o crescimento e amadurecimendo, e o relacionamento de Salvador com sua família e amigos.

A escrita do autor é bem diferente. É poética, mas simples. Não há enrolação para dizer algo ou expressar certos sentimentos, é algo muito direto e até inocente, com uma linha de pensamentos bem simplificada, mas, ao mesmo tempo, profunda. No começo, acho que isso pode causar certa dificuldade para se conectar com os personagens, mas, até o final do livro, garanto que isso não vai ser um problema.

Todos os personagens são muito bem construídos, com personalidades únicas. Mesmo passando por eventos semelhantes na vida, cada um lida de maneira diferente, se expressa com uma singularidade incrível. E todos são muito cativantes. Me apaixonei por todos eles, e pelos relacionamentos entre eles. O meu favorito foi o de Sam e Salvie. Acho que há certa expectativa para que a amizade se torne um romance, mas, ainda bem, isso não acontece. Eles tem um relacionamento maravilhoso de irmãos, e é palpável o amor que há entre eles, a sinceridade e a cumplicidade. Todo o livro traz esse amor, essa atmosfera de carinho, preocupação, saudades de tempos mais simples, força para lidar com as dificuldades e encontrar a felicidade.

Salvie é um ótimo narrador. Personagens principais podem ser extremamente chatos, mas Salvador consegue ser real, sem ser irritante. Ele se preocupa com todos ao seu redor, ao mesmo tempo que lida com o conflito interno em si. Um conflito muito justo, aliás, que não parece forçado ou dramático demais.

Admito que, no início, achei a história lenta, e não consegui me envolver bem. Mas então, do meio pra frente, me apaixonei completamente pelos personagens e pelos acontecimentos de suas vidas. O autor trata de temas polêmicos e importantes de uma maneira muito sutil, sem drama, sem necessidade de causar mais polêmica. Ele simplesmente fala dos assuntos com naturalidade, o que eu achei incrível. É um livro que te faz pensar sobre a vida, em todo o amor que há nela. Te faz refletir sobre os caminhos, as possibilidades, os momentos, as pessoas. Te faz compreender um pouco como a vida tem, de fato, uma lógica inexplicável. Tem uma leveza, uma fluidez. As coisas acontecem, e fazem você sentir coisas novas, as vezes positivas, as vezes negativas. De qualquer maneira, você tem que saber lidar. O modo como você lida, como você reage, determina a influência que elas tem na sua vida. Determina o rumo que você escolhe tomar. Determina quem você escolhe se tornar.

"A vida tinha suas estações, e a estação do desapego sempre chegaria, mas havia algo muito bonito naquilo, no desapego. Folhas eram sempre graciosas quando caíam da árvore."

"Por vezes o que chamamos de lógica é algo superestimado."

"A vida tem uma lógica própria. As pessoas falavam sobre a estrada da vida, mas eu acho que é bobagem. Estradas são lisas e asfaltadas, e têm placas que dizem para que lado se deve seguir. A vida não é nada parecida com uma estrada."


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Resenha | Trilogia "A Seleção"

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Oi, gente! Hoje vim fazer algo diferente, uma resenha em conjunto dos três livros de "A Seleção". Li essa trilogia há muito tempo, acho que 2013, e essa semana resolvi reler. Tenho que dizer que gostei ainda mais na segunda vez!

Em "A Seleção" estamos em um mundo distópico, dividido em castas que determinam posição social e os trabalhos a serem desempenhados. America Singer pertence a casta Cinco, a casa dos artistas. Quando o príncipe, Maxon Schreave, entra na maioridade, inicia-se a Seleção: uma espécie de competição em que várias meninas competem para se tornarem a próxima Princesa do país e esposa de Maxon. America é selecionada, mas não tem o menor desejo de ser princesa. Mesmo assim, no palácio, ela descobre segredos sobre o país e os governantes, tendo que lidar com as emoções da competição e os próprios sentimentos com relação a Maxon (e ao outro lá que não é importante - brincadeiraaa).

Dessa vez, percebi muito mais os aspectos emocionais do livro, a complexidade da política, e a construção incrível do mundo. 

America é muito chata, acho que isso é uma opinião unânime. Mas agora percebo que ela não é só chata, e, quando é, tem motivos para ser. Convenhamos que é uma situação complicada: o cara "namora" 30 meninas de uma vez. Não é uma situação favorável para um relacionamento monogâmico. Então, compreendo a frustração de America, assim como a de Maxon. 

America, no geral, pareceu muito mais incrível nessa releitura. Percebi o quanto ela conseguia ser independente, mesmo com milhares de pessoas para protegê-la. Ela mantem seus ideais, mesmo que as vezes não seja inteligente demonstrá-los. Claro, ela é extremamente impulsiva. Ela deixa que suas emoções do momento a levem a tomar decisões que influenciam (e muito) seu futuro, sem pensar nas consequências para si mesma ou para os outros. As vezes, dá certo. Já em outras, nem tanto.

Em "A Seleção" temos um desenvolvimento muito fofo do relacionamento de Maxon e América. É um livro com menos eventos, com uma introdução ao mundo, ao palácio e aos personagens. Mesmo assim, temos diálogos muito interessantes, cenas maravilhosas que demonstram toda a independência e força de América, e, claro, ótimos momentos de romance.

Já em "A Elite", percebemos toda a insegurança de América com relação a ser princesa e a ser esposa de Maxon. Por sua impulsividade, ela vive correndo para Aspen se algo dá errado. Pessoalmente, gosto muito mais de Aspen como um amigo, como um familiar, do que como namorado. Ele me parece possessivo, e até mesmo o motivo inicial para o término com America foi um tanto machista. É nesse segundo livro que também começamos a ver Maxon por outros ângulos. Percebemos seus defeitos (que são bem pequenos, aliás), e todo conflito com seu pai, e com a situação toda de ter que escolher uma das garotas. 

Por fim, em "A Escolha", FINALMENTE, América está mais certa do que quer. Mesmo assim, ainda há insegurança, o que é compreensível até certo ponto. Começamos a ter mais informações sobre os rebeldes, e acho incrível ver América realmente começar a influenciar no rumo do país, inspirando as pessoas a lutarem, e não deixando o rei intimidá-la. As últimas páginas são um tanto frustrante, mas, obrigada Kiera Cass, conseguimos um final feliz. Nesse ponto, todos os personagens tiveram desenvolvimentos incríveis, desde Celeste (que mulher) até Aspen e a Rainha. 

Adorei a resolução do triângulo amoroso, e amo as amizades que América fez, tanto entre as Selecionadas quanto com as criadas. Gosto muito de todos os personagens, e sinto que cada um deles tem uma personalidade individual bem pontuada, e parecem reais. Os relacionamentos também são realistas, com problemas pertinentes e momentos incríveis. Acho que o conflito com os rebeldes foi resolvido um pouco na pressa, mas acho que o foco desse livro é, realmente, America e seus relacionamentos. 

A escrita da Kiera é muito fluida, fazendo com que a leitura seja super rápida. Acontece muita coisa em pouco tempo, mas, mesmo assim, não acho que o livro fique corrido. A parte ruim é que acaba rápido, e você fica querendo mais. 

Ainda não li "A Herdeira", pois me disseram que a personagem é principal é muito chata, até mais que America (haja paciência), mas admito que agora fiquei com vontade. Você já leram?

Beijos,

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Resenha | Mil Beijos de Garoto

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Um beijo dura um instante. Mas mil beijos podem durar uma vida inteira. Um garoto. Uma garota. Um vínculo que é definido num momento e se prolonga por uma década. Um vínculo que nem o tempo nem a distância podem romper. Um vínculo que vai durar para sempre. Ao menos era o que eles imaginavam. Quando, aos dezessete anos, Rune Kristiansen retorna da Noruega para o lugar onde passou a infância – a cidade americana de Blossom Grove, na Geórgia –, ele só tem uma coisa em mente: reencontrar Poppy Litchfield, a garota que era sua cara-metade e que tinha prometido esperar fielmente por seu retorno. E ele quer descobrir por que, nos dois anos em que esteve fora, ela o deletou de sua vida sem dar nenhuma explicação.
Oi, gente, tudo bem com vocês? Hoje vim fazer a resenha de um livro que está bem na moda atualmente, Mil Beijos De Garoto, da Tillie Cole. Admito que comecei o livro com a impressão errada sobre ele. Imaginei que seria uma história fofa, pra aquecer o coração e acabar com minha ressaca literária. Só depois fui descobrir que é um livro triste, pra chorar. Sinceramente, acabei me decepcionando. Mas vamos lá, vou explicar direito. Essa vai ser uma resenha COM SPOILERS, então, se ainda não leu, CUIDADO.

Amei os primeiros capítulos, quando Poppy e Rune eram ainda crianças. Amei o amor inocente e puro, as declarações fáceis e o surgimento da ideia dos mil beijos de garoto. Mas, então, quando eles cresceram, senti que o amor foi ficando forçado e, as declarações, repetitivas.

Poppy é um clichê extremo que, por sorte, eu adoro. Ela é extremamente feliz, amante da vida e dos pequenos momentos de alegria, apaixonada por tudo e todos, esbanjando uma aura de euforia. E, é claro, ela não se abala com a notícia de que está morrendo. Apesar de amar o clichê, simplesmente por ele me inspirar a ser, de fato, mais feliz e aproveitar mais os momentos, sinto que ele tem que ter limites. Poppy não ficou triste por si mesma em nenhum momento. Ela aceitou a morte quase como se fosse algo rotineiro, simples, nada demais. Entendo que essa aceitação acaba ocorrendo, mas as pessoas não são perfeitas, não são 100% altruístas ou positivas. As pessoas tem momentos de fraqueza, e Poppy não tinha, o que me incomodou. Assim, ela me pareceu muito irreal.

Rune é outro clichê, o famoso bad boy. Não consegui me conectar com ele como pessoa, apenas como alguém que amava Poppy. No geral, esse foi um dos meus maiores problemas com o livro: o foco absurdo no romance. Não me entendam mal, amo romances, sou uma pessoa extremamente romântica e que acredita em amores intensos e de explodir o coração. Mas também acredito nos outros amores, da família e dos amigos. Poppy e Rune se isolavam tão intensamente, para ficarem sozinhos, que deixaram pra lá as outras pessoas de suas vidas. Não conhecemos nada sobre nenhum outro personagem. Eles estão lá simplesmente, como se fossem vazios, sem personalidades, sem importância. Sinceramente, eu ficaria bem chateada se fosse amiga de um deles.

Mas, realmente, o que mais me incomodou foi o tom extremamente meloso do livro. Não se se vocês perceberam, mas Rune e Poppy não falavam de nada que não fosse o próprio amor ou a morte. Eles repetiam os mesmo elogios e os mesmos "mantras" centenas de vezes por dia. Sou muito fã de um amor simples e real. Acredito que tudo em exagero é ruim. Então, acho que as palavras repetidas sem moderação, sem ser em momentos especiais, perdem seu sentido. "Até o infinito" e "Para sempre e sempre", o tempo todo, perdem o significado. Conversar mil vezes por dia sobre como vocês se amam é, simplesmente, chato. O que, no início, achei um amor, uma fofura, passou a ser muito irritante.

Sei que parece que odiei o livro, mas não. Acho que ele tem mensagens importantes sobre amar e ser amado, sobre a vida e os momentos. Na verdade, acho que esse livro é sobre a importância dos momentos, sobre saber apreciá-los e garantir que eles sejam percebidos. Isso é algo que tento levar para a minha vida, e gosto que tenha sido tratado de uma maneira bonita no livro.

"Por que é necessário o fim de uma vida para se aprender a apreciar cada dia? Por que precisamos esperar até ficar sem tempo para começar a conquistar tudo o que sonhamos, quando um dia tínhamos todo o tempo do mundo? Por que não olhamos para a pessoa que mais amamos como se fosse a última vez que a vemos? Por que, se olhássemos, a vida seria tão vibrante. A vida seria tão verdadeira e completamente vivida."

Também gostei bastante da questão dos beijos. Achei legal Poppy ter deixado o pote de mil beijos para Rune, e odiei o fato de ele não ter preenchido nenhum. Mesmo assim, acho que a ideia foi legal, e gostei que isso conectava Poppy a sua avó. A ideia das lanternas com cada beijo também foi fofa, e, finalmente, pudemos ver um pouco do relacionamento de Rune com outras pessoas, como seu irmão e seus amigos.

Consigo entender porque muita gente venera esse livro, mas, infelizmente, acho que ele não foi feito pra mim.

Vocês já leram? O que acharam?

Beijos,
Ju


sábado, 27 de janeiro de 2018

Resenha | Proibido

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Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.Eles são irmão e irmã.Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.
Oi, gente! Tudo bem? Hoje a resenha é de um livro, no mínimo, polêmico. "Proibido", como muita gente deve saber, conta a história de dois irmãos, Lochan e Maya, que se apaixonam. Então, vamos lá, vou tentar sintetizar os sentimentos com o mínimo de clareza pra vocês entenderem o que achei.

"Como algo tão errado pode parecer tão certo?" Partimos da premissa de que, sim, é algo errado. Se não fosse, a frase seria ao contrário ("como algo que parece tão certo pode ser errado?"). Entendem o que quero dizer? Achei que me sentiria desconfortável lendo esse livro, mas não. É impossível evitar o conflito que é criado dentro de você, a esperança de que os dois possam ficar juntos e o medo por não ser considerado certo. É polêmico, te faz questionar.

Lochan e Maya não são irmãos. Jamais foram criados como tal, ou tiveram esse tipo de relação. Eles sempre foram amigos, iguais, companheiros, juntando-se para lidar com a situação difícil de sua família. Eles são os pais dessa família, quase um pai e uma mãe para as crianças, pois precisam agir assim. As circunstâncias os aproximaram assim, de maneiras não convencionais.

Não estou dizendo que considero certo, normal, ou que deve ser convencional. Mas estou dizendo que há situações e situações, e devemos analisá-las sem o julgamento pré- determinado. Vale a pena impedir o amor de duas pessoas, causar o sofrimento delas, de uma família inteira, apenas para manter os bons costumes e a moral?

"Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir"

Essa é a frase que inicia o livro, e o representa muito bem: é impossível moldar seus sentimentos para encaixarem-se nos moldes sociais aceitos. Por que deveríamos considerar errado algo que é consensual, entre pessoas da mesma idade, e que não está machucando ninguém? Pois é incomum. Pois causa desconforto. Pois não costuma acontecer.

A escrita da autora é maravilhosa, e é por causa dela que o livro é tão sofrido. Ela passa os sentimentos com uma profundidade absurda, fazendo com que seja impossível não se conectar aos personagens, não sentir seus medos, vontades, insegurança e o seu amor, por mais que seja incomum. Ninguém vai ler esse livro sentindo nojo, repulsa ou desconforto, pois estamos lendo pelo ponto de vista de duas pessoas apaixonadas. Eles não se sentem como irmãos, não se veem com essa relação, não agem como se fossem.

Ainda não sei o que sinto. É triste, ver o amor dos dois ser considerado tão errado. Mas também é impossível simplesmente torcer para que fiquem juntos, sem pensar nas consequências. Não me apeguei apenas a Maya e Lochan, mas a toda a família, Willa, Tiffin e Kit. Crianças que já passaram por tantas dificuldades, por tantos abandonos. O relacionamento que mais me partiu o coração, mais que o de Maya e Lochan, foi o de Kit e Lochan. Irmãos que não puderam ser realmente irmãos, pois as circunstâncias o forçaram a ser mais, pai e filho, e isso traz consequências imensuráveis.

Não sei se é um livro que todos conseguiriam ler, pois é pesado, é tenso, a realidade do relacionamento sempre pairando sobre as páginas. Mesmo assim, acho que gostei. É diferente, não se compara a nenhum outro, talvez, porque ninguém teve coragem de tocar nesse assunto. O único tipo de amor que jamais é comentado, mais condenado do que os relacionamets abusivos ou entre pessoas com enormes diferença de idade. Faz você pensar, no mínimo. Por que deixamos que nossa moral ultrapassada guie tanto nossos julgamentos e nos faça condenar tanto duas pessoas cujo amor não faz mal a ninguém, nem a elas mesmas? Acho que fica a reflexão.

Vocês já leram esse livro? Me contem o que acharam!

Beijos,

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Resenha | The Heart of Betrayal

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Em The Heart of Betrayal — Crônicas de Amor e Ódio v.2, Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao Vendan Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela. Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os Vendans, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família... e seu próprio destino.
Oi, gente! Como vocês estão? Finalmente vim fazer a resenha da sequência de "The Kiss of Deception", esse livro lindo que eu demorei mil anos pra ler.

Confesso que achei esse livro bem mais lento que o primeiro. Talvez não MAIS lento, mas uma lentidão pior. Enquanto no primeiro tínhamos vários aspectos novos, com Lia se apaixonando, a incerteza de quem era o Assassino e o Príncipe, nesse não tínhamos tantos pontos fortes que te faziam se prender ao livro. Mesmo assim, a história não deixa de ser interessante. A sequência de eventos é interessante, só não é intensa o suficiente para te absorver por inteiro e tornar impossível interromper a leitura.

Em Venda, senti nossos personagens muito perdidos e impotentes. Mesmo Kaden não sabia como agir, como devia proteger Lia, onde suas lealdades deveriam estar. Já Rafe e Lia estão nesse mundo completamente desconhecido, sem opções para fuga, com apenas um fio de esperança nos amigos do príncipe.

Tenho que dizer que gostei muito de Kaden nesse segundo livro. Podemos conhecê-lo mais, sua história, sua relação com o Komizar e com venda. E, surprise, ele não é vendano. Ele parecia genuinamente preocupado com Lia, e buscava fazer o que achava que seria certo. Seu conflito interno foi muito bem desenvolvido. Por outro lado, senti que Rafe está me parecendo um personagem vazio. Parece que não sabemos quase nada sobre ele, além do fato de ele ser o príncipe. Sinceramente, ele foi bem chato nesse livro, no sentido de monótono.

Outro destaque pra mim foi o Komizar. Ele é muito perturbado, muito mal. Talvez ele seja um pouco clichê, por ser o típico governante com sede de poder e vingança, mas, mesmo assim, achei que o aspecto psicológico dele foi muito interessante, assim como suas manipulações.

Mas, claro, o destaque desse livro são as incríveis personagens femininas. Lia é simplesmente incrível. Ela é corajosa, sem deixar de ser medo. Independente, sem deixar de se importar com Kaden e Rafe. Gentil, sem deixar de ser forte. E, nesse livro, senti que ela começou a se impor, sem ser impulsiva. Lia ainda tem sua voz, ainda não tem medo de expor suas opiniões e lutar pelo que acredita. Mas, agora, ela sabe quando deve se expor, e quando deve se guardar, dependendo do que será mais vantajoso para sua causa. Também gostei muito de Aster e Calantha, personagens fundamentais no livro, com personalidades fortes e uma história completa por trás de suas ações.

As últimas 100 páginas de "The Heart of Betrayal" são, com certeza, a melhor parte do livro. Nas últimas 50, é impossível largar o livro. Mary E Pearson pode escrever inícios lentos e um pouco monótonos, mas seus finais são sempre simplesmente maravilhosos e, sua escrita, impecável. Adorei como podemos sentir a angústia e o desespero de Lia a medida que suas esperanças iam se esgotando, e o fim ia se aproximando. As emoções de Lia são escritas com muita intensidade, o que eu amo.

No geral, esse livro foi tão bom quanto o primeiro. Gostei muito de conhecer Venda e seus costumes, mas gostaria que o processo todo fosse agilizado. Talvez, pudéssemos ter mais cenas com Calantha e Rafe, para conhecê-los melhor.

O que vocês acharam desse livro?

Beijos,


domingo, 21 de janeiro de 2018

Sobre autopublicação | Amazon KDP

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Oi oi, gente! Como vocês estão? Perguntei no Instagram se alguém teria interesse em um post falando sobre o processo de autopublicação, e muita gente gostou da ideia, então aqui estou! A minha autopublicação foi pela Amazon KDP (Kindle Direct Publishing), então vou contar minha experiência com essa plataforma e deixar tudo bem detalhadinho.

Primeiramente, lembrem-se que existem várias formas de autopublicação digital. Temos a Amazon, o Clube dos Autores, Bookess, Publique-se, entre outros. Eu escolhi a Amazon mais por instinto mesmo, e, claro, por ver algumas vantagens. Por exemplo, quando você escolhe publicar pela Amazon, seu livro fica disponível nas lojas de todos os países. Então, se alguém na França quiser comprar seu livro, eles podem. Claro, na língua original do livro. Não é algo que acontece com frequência, mas acho que é vantajoso que haja essa opção. Além disso, sinto que a maioria das pessoas que leem e-books os compram pela Amazon. Mesmo assim, acho que a escolha da plataforma é algo muito pessoal, e vai de cada um. Cada uma possui suas vantagens e desvantagens.

O processo em si é muito simples. O primeiro passo, claro, é criar uma conta no KDP. Mesmo que você já tenha uma conta na Amazon, é preciso vinculá-la ao KDP. A partir daí, a própria plataforma vai te guiando. Depois de ter a conta criada, é preciso preencher todas as informações sobre você e, o mais importante, sobre os seus dados bancários. Isso é necessário para que a Amazon possa te pagar os seus royalties, afinal, temos que receber pelo nosso trabalho, né?

O segundo passo é clicar em "criar um novo livro". É importante ressaltar que aqui existem duas opções: e-book ou livro de capa comum. O e-book é, logicamente, o livro digital comum que ficará disponível em todas as lojas da Amazon. Já o livro de capa comum é o livro físico. Sim, a Amazon permite que você venda o seu livro em formato físico. Falarei disso mais para frente, então, por enquanto, vamos focar no e-book.

Então, o terceiro passo é colocar os detalhes do seu livro, como título, sinopse, autor, categorias, público alvo, enfim, várias coisas. Você também pode escolher se quer publicar o livro imediatamente ou se gostaria de fazer uma pré-venda. Eu coloquei imediatamente porque sou ansiosa demais, mas não sei se isso faz muita diferença.

Depois dos detalhes, vem a parte mais importante. O quarto passo é editar o conteúdo do seu livro. É nesse momento que você vai adicionar o documento do seu livro (se não me engano, pode ser em PDF ou Word.), capa, etc. A primeira coisa importante é prestar atenção ao formato do livro. A Amazon oferece os modelos de documentos com as margens, tamanho de letra, e outros detalhes já prontos para que o livro fique no formato certo. Então, você pode baixar esse modelo e só colar o conteúdo do seu livro no documento, é bem simples. A parte mais difícil é a capa. A Amazon oferece um aplicativo criador de capas, mas não recomendo. É bem limitado, e eu pessoalmente achei as opções de fontes e imagens bem feias. Por outro lado, tem um site/aplicativo que eu achei bem interessante, chamado Canvas. Ele permite que você selecione a opção de criar uma capa de e-book, e tem um acervo grande de opções gratuitas e pagas de formatos. A utilização do aplicativo é simples, mas é na base de tentativa e erro. Na hora de escolher uma imagem de fundo, não deixe de prestar atenção se a imagem tem direitos autorais. Isso é importante para que você não tenha problemas com o autor da foto. O que eu fiz e recomendo é tirar a imagem de um site com imagens gratuitas e sem direitos autorais (eu utilizei o Pixabay). O bom desses sites é que as imagens tem qualidades boas, o que é necessário especialmente se você for fazer o livro de capa comum também. Lembrando que você pode contratar alguém para fazer tanto a formatação do livro quanto a capa. Eu preferi fazer sozinha para economizar dinheiro, mas é uma opção também. Depois de ter feito tudo isso, você vai poder fazer uma pré-visualização do seu livro, pra checar se está tudo certo.

O quinto passo diz respeito ao preço e aos royalties do livro. A Amazon vai sugerir um preço mínimo e máximo para você, dependendo do tamanho e tipo do seu livro. Você também deve selecionar em quais territórios possui os direitos do livro. Nesse momento, você deve escolher se vai querer 35% ou 70% dos royalties. Para poder recer 70%, a Amazon pede exclusividade no meio digital, ou seja, o seu livro deve estar disponível apenas nas lojas da Amazon. Caso você escolha a opção de 35%, você poderá publicar o livro em outras plataformas, como o Clube dos Autores, e então seu livro estará disponível em mais lojas. Porém, com 35% não é possível cadastrar seu livro no Kindle Unlimited. Caso você não saiba, o Kindle Unlimited é como uma Netflix de livros. Você paga uma taxa mensal (aproximadamente 20 reais, se não me engano) e tem acesso a um acervo de livros gratuitos. Se o seu livro estiver nesse acervo, provavelmente mais pessoas terão acesso a ele. Os royalties nesse caso vem do número de páginas do livro lidas pela primeira vez, além do fundo global. Eu, pessoalmente, acho uma boa opção.

Depois disso, é só clicar em "publicar seu E-book Kindle" e pronto, após no máximo 48 horas, seu livro estará disponível. O processo todo é bem auto explicativo, então imagino que ninguém vá ter dificuldades. Depois do livro ter sido publicado, você poderá acompanhar as vendas na aba de "relatórios". Os seus royalties serão pagos 60 dias após a venda dos e-books. Antes disso, a Amazon vai depositar 0,01 centavos na sua conta, pra checar se o depósito pode ser realizado com sucesso.

Agora, com relação ao livro físico. A Amazon permite que você crie um livro físico para ser vendido sob demanda, ou seja, cada vez que alguém comprar o livro, uma única cópia será impressa. O Clube dos Autores também tem essa opção, com algumas diferenças. Por exemplo, a Amazon BR ainda não possui esse recurso, então o seu livro ficará disponível na Amazon americana. Consequentemente, o livro será impresso lá, e o frete para encomendas feitas no Brasil ficará bem caro. Mesmo assim, assisti alguns vídeos de comparação da Amazon com o Clube dos Autores (que fazem as impressões no Brasil, por ser brasileiro) e o preço final do livro não ficou com tanta diferença. De novo, acho que é uma escolha pessoal. Eu escolhi a Amazon novamente.

Pra começar, selecione a opção "criar livro de capa comum". O processo é quase igual ao do e-book, então você precisará preencher os detalhes do livro, conteúdo, capa e royalties. As diferenças básicas são que agora você terá que selecionar coisas como o tipo de papel, capa fosca ou brilhante, e editar detalhes da capa no aplicativo (contra-capa e lombada). Além disso, você vai precisar de um ISBN.  o ISBN é o Número Padrão Internacional do Livro. Todos os livros publicados possuem um número. Se o seu livro for publicado por uma editora, ele já terá um número. No caso da Amazon, você pode selecionar a opção de utilizar um ISBN da Amazon, caso não tenha um. Depois disso, é só concluir o processo e esperar algumas horas para que o livro fique disponível.

O último e mais importante passo é fazer a divulgação do seu livro. A maior dificuldade de autores independentes é não ter uma editora que ajude nessa parte. Então, você tem que se virar. Crie perfis nas suas redes sociais, fale para os seus amigos, faça parcerias com blogs. Tudo que você conseguir pensar é válido desde que, é claro, não fique chato. A Amazon também permite que você faça promoções. No KDP BR, a única disponível é a de livro gratuito. Você pode deixar seu livro de graça por até 5 dias. Eu recomendo muito fazer essa promoção de tempo em tempos, e divulgar nas redes sociais e para os parceiros. É uma forma de fazer com que as pessoas baixem o seu livro porque, convenhamos, quem não gosta de coisa grátis?

Bom, gente, acho que é isso. Talvez eu venha atualizar esse post caso tenha me esquecido de algo, mas garanto que o processo é bem fácil e auto explicativo. A maior dificuldade pra mim foi com relação a capa mesmo, porque, querendo ou não, é um dos fatores que vai influenciar se as pessoas clicam ou não no seu livro. De qualquer maneira, se você tiverem qualquer dúvida, podem me perguntar! Não sou especialista, claro, estou aprendendo na experiência mesmo, mas estou disponível para ajudar. Boa sorte com suas publicações!

Beijos.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Resenha | Corte de Névoa e Fúria

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O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de espinhos e rosas, da mesma autora da série Trono de vidro Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.
Oi, gente linda! Finalmente apareci pra fazer a resenha desse livro que todo mundo no universo tá lendo, e amando. Então, vamos lá? Ah, cuidado com os SPOILERS.

Nesse livro, vamos começar a ver a repercussão dos acontecimentos do primeiro livro, depois que Feyre quebrou a maldição e libertou todo mundo da Amarantha. Ah, e virou feérica, né? Mas ela não está tão feliz assim como o esperado, pois sente o peso de tudo que teve que fazer em Sob a Montanha, e Tamlin não está ajudando. Pelo contrário, o medo de perdê-la faz com que ele a prenda dentro de casa e é aí que Rhysand (aka o melhor personagem do livro) aparece e a leva para a Corte Noturna.

O primeiro livro pra fim foi extremamente parado, demorei pra entender o objetivo da história e acho que as coisas começaram a ficar minimamente interessantes só nas últimas 200 páginas.

Neste livro, é impossível ter o mesmo problema. Muita coisa acontece, o tempo todo. Temos aspectos emocionais intensos, novos personagens, missões constantes, festas... Gostei bem mais desse livro. Acho que a história se apresentou de maneira muito mais clara, os relacionamentos foram construídos de um jeito bem melhor.

Mas tenho que admitir que acho que o hype dessa série não me pegou. Comecei a gostar mais da história, o mundo é muito interessante e os personagens são FANTÁSTICOS mas, no geral, não acho que seja espetacular. Antes de ler as últimas 100 páginas desse livro eu, inclusive, tinha decido não continuar. Simplesmente porque meu ship tinha acontecido (hehe) e eu não estava tão interessada assim nos acontecimentos da guerra e tudo mais. Pra ser sincera, acho que esse livro tem informações demais. Em vários momentos, fiquei perdida, tentando lembrar qual era exatamente a história e os motivos por trás das ações de certas pessoas (o rei, Jurian, Amarantha, Myrian). Essa complexidade e profundidade de personagens é algo que amo, mas odeio quando não fica claro, e, pra mim, não ficou.

Resolvi que precisaria continuar quando cheguei ao final do livro. Vocês não tem noção da raiva que  senti quando Tamlin apareceu com Lucien. Alguém, por favor, arruma uma ordem de restrição pra esse homem. Eu odeio como ele apenas ignora a carta de Feyre, odeio como ele ignora um laço de parceiros que todo mundo consegue sentir. E Lucien me decepcionou profundamente, porque gostei tanto dele no primeiro livro, e então ele não defendeu Feyre.

E meu coração partiu quando o laço foi quebrado. A noção de que eles não conseguiriam mais se comunicar pela mente acabou comigo, acabou com meu ship. Mas então, não estava acabado, e foi literalmente a melhor coisa do mundo quando descobrimos que Feyre é uma Grã-Senhora. Amo o que Feyre se tornou, como ela começou a ganhar voz, a se valorizar, a se dar crédito por tudo que fez.

Então, precisamos falar sobre como isso só confirma a maravilhosidade de Rhys.

Tamlin disse a Feyre que não existiam Grã-Senhoras; ele não permitia que ela sequer soubesse o que estava acontecendo no mundo e, literalmente, a trancafiou dentro de casa. Podemos perceber, por ninguém questionar esse tipo de atitude, que o mundo dos feéricos é tão machista quanto o dos humanos. E, em meio a todo esse caos, surge Rhys, descrito como um sonhador.

Rhys não conta a Feyre sobre eles serem parceiros, pois sabe que isso influenciaria em suas escolhas. Ele dá a ela liberdade para decidir ou não aceitar aquele laço, sem nem mesmo saber que ele existe. Ele permite que ela saiba tudo que está acontecendo, e a incentiva a alcançar todo o seu potencial, a desenvolver seus poderes. Rhys não tem medo que Feyre brilhe o quanto ela precisa brilhar, que use os seus poderes para o bem. Ele sabe que, antes de ser sua parceira, Feyre é uma pessoa. Rhys libertou Amren e Mor. Rhys quer que as garotas illyrianas possam treinar. Gente, Rhysand é mó feminista! Ô menino do coração bom!

E eu o amo por isso. E é por ele que vou ler o próximo livro. Por ele, por Feyre, pelo que ela se tornou e por todos os integrantes maravilhosos da Corte dos Sonhos. Preciso dizer que amei Amren, Mor, Cassian e Azriel. Eles eram tão doces, tão reais. A família que Feyre nunca teve.

O problema desses livros, pra mim, é que eles se arrastam. Me cansam, por motivos que nem eu mesma sei. Pode ser pela escrita ou pela história que não conseguiu me absorver, não me despertou interesse em saber que rumo as coisas vão tomar.

Apesar de ser um livro que me cansou, pude aproveitá-lo bem, pelos seus personagens. E agora, mesmo que não esteja tão interessada no enredo principal (com o rei e Jurian e o Caldeirão), estou muito ansiosa pra ver os estragos que a Grã-Senhora da Corte Noturna vai fazer na Corte Primaveril.

Vocês amam essa série como todo mundo? Me contem!

Beijos.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Sobre e-readers e livros físicos

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Oi, gente, como vocês estão? Hoje quero conversar com vocês sobre algo que vem ocupando muuito minha mente: as vantagens e desvantagens dos E-readers (Kindle, Kobo, Lev, etc.).

Eu sempre fui extremamente contra ler em computadores, celulares e qualquer outros dispositivos. Nunca consegui me desapegar da sensação boa de comprar o livro na livraria, esperar uma encomenda, sentir o cheirinho gostoso e a textura das páginas. Mas então parei pra pensar e percebi que essas eram coisas meio... fúteis, vocês não acham? Não são essas coisas me fazem ler; elas apenas fazem parte de uma experiência de leitura. Convenhamos que a ÚNICA coisa realmente NECESSÁRIA para ler um livro é, bom, a história.

Mesmo assim, não sei se algum dia vou conseguir me adaptar a computadores e celulares, principalmente por dois fatores: no caso do celular, o tamanho, e, em ambos, a luz. Pareço até velha quando falo isso, mas, gente, cansa demais a vista! A gente já fica tanto tempo no celular, ainda vou acrescentar a isso as horas que vou ficar LENDO no celular?

Mas então, como se lendo os meus pensamentos, chegaram os e-readers. Maravilhosos, sensuais, tela fosca com luz embutida, livros mais baratos, leves, práticos... Admito, estou sendo seduzida! Mas ainda tenho muito medo de não conseguir me adaptar.

Então (depois de muita enrolação), resolvi separar as vantagens e desvantagens dos E-readers, comparando-os aos livros físicos:


PREÇO

Todo mundo sabe que livro é caro, isso não é novidade. Um e-reader é, aproximadamente, levando em conta as variações das marcas, 300 reais. Em compensação, a maior parte dos e-books são mais baratos do que suas versões físicas. O que faz sentido, já que você não gasta papel, gráfica, transporte, etc. Mas eu já vi (com certa frequência até) e-books que tem o mesmo preço das versões físicas! Então, sinceramente, não sei o quão grande essa economia realmente seria. 

PRATICIDADE

Todo mundo também sabe que livro é pesado. Pense você, viajando e querendo ler Harry Potter. Onde é que você vai enfiar aqueles livrões de 600 páginas? Se você tiver um e-reader, o livrão de 600 páginas (e mais muitos outros) vai caber na sua bolsa. Isso, não tem como negar, é prático. Como leitores, gostamos de arrastar os livros pra todos lugares. Se temos cinco minutos livre, queremos tentar terminar aquele capítulo. Nesse caso, os e-readers ganham de lavada dos livros físicos.

MARCAÇÕES

Eu, particularmente, não sou uma pessoa que costuma fazer marcações nos livros. Mas sei que muita gente gosta de grifar citações ou fazer anotações. Nesse caso, acho que os e-readers podem ser de grande ajudar: é mais fácil você selecionar um trecho e adicionar uma nota, tudo no mesmo lugar, do que levantar pra achar um post-it e uma caneta. Já com relação a grifar, acho que não faz muita diferença. No entanto, já ouvi muita gente reclamando de alguns e-readers que eram difíceis de selecionar as citações, marcando partes erradas ou incompletas.

TEMPO

Quando digo "tempo" quero dizer tempo de compra. Leitores são ansiosos, é difícil esperar por aquela continuação da série ou aquele livro do seu autor favorito. Então, nesse caso, os e-readers ajudam bastante. Imagina terminar Principe Mecânico no sábado a noite e ter que esperar domingo todo pra comprar Princesa Mecânica? Eu chamo isso de tortura! Com o e-reader, você pode comprar seu livro e começar a lê-lo em qualquer momento. Claro, não tem a emoção de ir na livraria ou de esperar a encomenda.

SUSTENTABILIDADE

Nesse caso, o e-reader, apesar de gastar energia quando precisa ser carregado, ganha com certeza. Não é segredo que a natureza está sendo destruída e, querendo ou não, os livros físicos estão colaborando. Já pararam pra pensar quantas árvores tiveram que ser cortadas pra fazer aquela edição maravilhosa de 20 anos de Harry Potter e a Pedra Filosofal?

PRAZER

Adicionei essa sessão porque, por mais que seja fútil, é importante ter uma experiência de leitura prazerosa e isso inclui, sim, o cheirinho do livro e a textura das páginas. É como aquela versão nova de Banco Imobiliário com o cartão de crédito, sabe? Você não se SENTE rico. Vocês conseguem SENTIR a história quando a leem por e-reader? Conseguem não se irritar ao não poder ver quantas páginas faltam (na real isso pode evitar alguns spoilers acidentais, então, ponto pro e-reader)? Conseguem se envolver com a história mesmo que ela não apareça completinha pra você? Conseguem ficar bem depois de terminar um livro maravilhoso e não poder abraçá-lo por horas, absorvendo a maravilhosidade por osmose? Acho que isso vai de cada um. Eu, pessoalmente, ainda não sei se consigo.

Bom, gente, acho que a reflexão que eu queria fazer era essa. Quero muito saber o que vocês pensam sobre o assunto e, se tem e-readers, de qual marca? O Kindle sempre parece ganhar nas comparações, mas os outros fazem o trabalho direitinho? Me contem!

Beijos,

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Resenha | Isla e o Final Feliz

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Tímida e romântica, Isla tem uma queda pelo introspectivo Josh desde o primeiro ano na SOAP, uma escola americana em Paris. Mas sua timidez nunca permitiu que ela trocasse mais do que uma ou duas palavras com ele, quando muito.Depois de um encontro inesperado em Nova York durante as férias envolvendo sisos retirados e uma quantidade considerável de analgésicos, os dois se aproximam, e o sonho de Isla finalmente se torna realidade. Prestes a se formarem no ensino médio, agora eles terão que enfrentar muitos desafios se quiserem continuar juntos, incluindo dramas familiares, dúvidas quanto ao futuro e a possibilidade cada vez maior de seguirem caminhos diferentes.
Oi, gente! Vim fazer hoje a resenha de Isla e o Final Feliz, mais um dos livros incrivelmente fofos da Stephanie Perkins. Esse é o último livro da trilogia (Anna, Lola e Isla). Apesar de não ser extremamente necessário lê-los na ordem, acho que é melhor pois, caso contrário, você pode acabar ganhando alguns pequenos spoilers. Mas todos são fofos demais, vocês não vão querer pular nenhum <3 Então, vamos lá.

Nesse livro, como em Anna e o Beijos Francês, estamos na França, em uma escola Americana, a SOAP. Isla está no seu último ano e não tem muitas expectativas, planejando apenas continuar com suas atividades rotineiras na companhia de seu melhor (e único) amigo, Kurt. Masss, o ano toma uma reviravolta quando Isla descobre que Josh, o garoto pelo qual ela é apaixonada desde sempre, também tem uma quedinha por ela. É claro que logo os dois começam a namorar e protagonizar cenas e diálogos fofíssimos, típicos dos livros da autora.

Esse livro é aquele que vai aquecer o coraçãozinho e te fazer lembrar o porquê de você ter começado a ler em primeiro lugar. Você vai se apaixonar pelos personagens à medida que eles se apaixonam, e sofrer com eles em cada dificuldade. Dá vontade de chorar e rir ao mesmo tempo, e, quando terminar, ficar abraçadinho com ele na esperança de conseguir absorver a fofura por osmose.

Admito que Isla me irritou em alguns momentos e, se você se irrita com romances instantâneos, não devia ler esse livro. Tudo acontece muito rápido e com muito drama. Mesmo assim, consegui aproveitar muito a leitura. É leve, fácil, rápida e te prende, te fazendo querer continuar lendo mesmo nos momentos de irritação.

Meu personagem favorito, com certeza, foi o Josh. Ele é adorável, gentil, incompreendido e, fofo. Adtivo para o livro: fofo. Mas, mais do que isso, ele é autêntico e não tem medo de expor seus pensamentos. Isla, como todo personagem principal, me deixava nervosa às vezes, por conta de suas escolhas totalmente inexplicáveis e momentâneas. Mas tudo bem, pois isso só faz com que ela se pareça mais com uma pessoa real.

O quesito realidade, claro, não é muito forte nesse livro, como na maioria dos romances. É, com certeza, algo idealizado, fantasioso e clichê. Mas, fala sério, não é essa a melhor parte dos livros?

Os outros personagens não são tão exploradas, havendo um foco claro no casal principal. Mesmo assim, não achei que ficou faltando explicação de nada. É uma trama simples e concreta, seguindo a trajetória do relacionamento de Josh e Isla.

Enfim, recomendo muito para todos que amam um romance àgua com açúcar pra deixar o coração quentinho.

Beijos,




domingo, 3 de dezembro de 2017

Resenha | Tartarugas até lá embaixo

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A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).
Oi oi, gente! Tudo bem com vocês? Hoje vim fazer a resenha do novo e aguardado livro do John Green, "Tartarugas até lá embaixo". FINALMENTE, 6 anos mais tarde, fomos abençoados com mais um livro maravilhoso desse autor que é meu favorito há muito tempo. Então, vamos lá.

Tartarugas até lá embaixo conta a história de Aza Holmes, uma adolescente de 16 anos que sofre com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Há todo um enredo que fala do desaparecimento de um bilionário, pai de um amigo de infância de Aza, e do relacionamento de Aza com sua mãe, com sua amiga Daisy, entre outros, mas, pra mim, essa livro é 90% sobre os pensamentos de Aza e 10% sobre o resto de sua vida. Não sei se esse é, como muitos dizem, o melhor livro do John, mas, com certeza, é seu livro mais sensível e, principalmente, mais pessoal.

Pra quem não sabe, o próprio John tem TOC e lida com a doença desde a infância, tendo comentado sobre o assunto em algumas entrevistas. Por isso mesmo, um dos aspectos mais incríveis (e angustiantes) desse livro são os pensamentos de Aza. Sua linha de pensamentos, sua espiral, é tão intensa e tão sofrida, e é possível sentí-la. Durante o livro, percebe-se um certo "egoísmo" de Aza, apontando diversas vezes por Daisy. Egoísmo está entre aspas pois, obviamente, Aza não é egoísta no sentido comum da palavra, mas sim no sentido de alguém que não consegue parar de preocupar-se com os próprios pensamentos. Ela está tão presa dentro da própria mente que mal consegue arrumar tempo para olhar para fora do próprio corpo.

Na minha opinião, esse livro é como um diário dos pensamentos de Aza. Ela não se sente presente nas situações, mas sim uma observadora, pois está em outro lugar (sua mente). Ela não sabe quem é, e não sabe distinguir entre sua obsessão e o seu eu. Ela não consegue controlar os próprios pensamentos ou ações. Gente, é muito sofrido.

Mesmo que os outros personagens sejam todos muito secundários pra mim, quero falar sobre eles. Amei Daisy e a odiei ao mesmo tempo. Suas críticas a Aza eram muito pertinentes, mas também muito injustas, pois estamos lendo pelo ponto de vista de Aza. Ela é uma amiga incrível, mesmo que seja difícil, e ninguém é perfeito. Também amei Davis, pois ele era honesto. Todos os personagens eram, na verdade, extremamente diretos e honestos. Mas Davis jamais fingiu, jamais expressou algo que não fosse verdade, e eu amei seu relacionamento com Aza.

De certa maneira, eu esperava que Davis entendesse Aza, pois normalmente é assim que funcionam os relacionamentos nos livros. Mas não, pois ninguém entende Aza.

Não sei dizer o que senti com esse livro. Essa não é a melhor história que já li e, sinceramente, é um pouco parada. Mas esse livro não é sobre a história, é sobre Aza. É emocionante. É sutil. É sincero. É sensível e doloroso. Diferente de outros livros do John Green, que falam de temas muito compreensíveis como perda, saudades, morte, entre outros, Tartarugas até lá embaixo emociona exatamente por ser tão incompreensível.

E sobre esse título, gente? Adorei entender finalmente o que ele significa, e é tão bonito, de uma maneira tão diferente. Somos tartarugas até lá embaixo, e não uma boneca sólida e não oca. Somos os protagonistas e os coadjuvantes, os pintores e as telas.

John Green não decepciona, não é? Sinceramente, obrigada por escrever livros tão honestos, simples e tocantes.

O que vocês acharam de Tartarugas até lá embaixo?

Beijos,


domingo, 19 de novembro de 2017

Publiquei um livro pela Amazon (KDP)



Oi, amores! Parece até milagre eu ter voltado aqui depois de tanto tempo, não é mesmo? Mas, acreditem, voltei por um ótimo motivo. Vocês não tem nem noção do quanto eu fico feliz de poder fazer esse post. Então, vamos direto ao ponto, sim?

O título é esse e ele não é mentira: publiquei um livro pela Amazon. Acho bom fazer esse post por dois motivos: primeiro, divulgação, né, quero que vocês leiam meu livrinho. Segundo, acho que muita gente por aqui deve ter a mesma vontade que eu de publicar seu próprio livro. A Amazon foi uma maneira bem mais fácil que eu encontrei de realizar esse sonho, e espero muito que dê certo.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Resenha | Minha Vida Mora ao Lado

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Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e...
Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe.Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios?Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Resenha | Novembro, 9 - Colleen Hoover

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Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

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Não sei se vocês entendem a minha alegria de poder fazer esse post. Alguns já devem saber por posts anteriores, mas eu sou apaixonada Harry Potter. Essa série é, sem dúvida alguma, a minha favorita, e acho que vai ser pra sempre, independente de qualquer outra coisa que eu leia. Digo isso não só por ser, obviamente, uma história incrível, perfeita, com personagens maravilhosos e valores lindos. Acredito que cada fã de Harry Potter tem seus próprios motivos para amar tanto assim esses livros e esse universo. Pra mim é bem simples: foi Harry Potter que me fez descobrir meu amor pela leitura, pela escrita, pelas palavras. E, sendo isso uma grande parte de mim, posso dizer que eu não seria eu sem esses livros.

Playlist | Novembro - 2016

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Oi, gente! Faz tipo literalmente um ano desde a última playlist (oops), então resolvi que já era hora de voltar aqui e atualizar, né? Descobri umas músicas bem incríveis nesse último ano e, recentemente, fiquei obcecada com muitas músicas de Teen Wolf. A trilha sonora dessa série é maravilhooosa (a série também, btw)! Então vamos lá:

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Pra quem ama viajar: worldpackers

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Oi, oi, gente! Vim compartilhar uma coisas incrível que descobri recentemente! Que eu amo viajar vocês provavelmente já sabem. Então quando dá a louca de PRECISO SAIR DESSE LUGAR é um problema. A não ser quando, como aconteceu há algum tempo, eu descubro coisas novas bem maravilhosas! Então vamos lá!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Conjunto de mini-resenhas

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Oi, oi, gente! Bom, como já disse, sumi por um bom tempinho! Nesse tempinho que deixei o blog sem atualizações li alguns livros que queria comentar. Como já faz um tempo que li a maioria deles, senti que seria difícil fazer resenhas completas de cada um, já que não me lembro de detalhes, e a história (e minha opinião sobre ela) não está tão fresca na minha mente, entendem? Por isso resolvi trapacear e fazer esse post por motivos de atualização mesmo, com resuminhos do que achei de cada livro. Caso vocês achem legal, posso voltar a fazer! Então vamos lá:

terça-feira, 12 de julho de 2016

Sobre feminismo

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Ooooi, gente! Sim, eu sei que sumi! Juro que tenho meus motivos, uns bem mais válidos que os outros. Mas enfim, né? Resolvi voltar hoje já com um tema que tem tomado conta das redes sociais e causado muita polêmica: sim, vamos falar de feminismo. Antes de começar queria dizer que tenho pensado em levar um blog pra um contexto mais social e começar a falar de temas problemáticos e atuais, como esse de hoje. Não sei se vocês gostariam disso, mas sinto que pra mim é muito bom, e eu realmente gostaria de poder expor minhas ideias. Mas claaaro que vamos continuar com os posts literários!

Mas, bom, vamos lá.

Primeiramente: sim, gente, sou feminista. Parece que atualmente falar isso é tão polêmico quando se assumir gay, né? MAS É O SEGUINTE: a maioria das pessoas tem uma ideia muuuito errada de feminismo. Com toda essa informação que a gente recebe e tem acesso por causa da internet e das redes sociais, a galera acha que sabe todas as verdades do universo assim, PLIM, automaticamente, e sai discutindo e falando besteira sem nem dar aquela pesquisada básica antes de falar. Então acho muito importante a gente começar essa discussão definindo logo cedo alguns conceitos que são frequentemente usados de maneira errada. Essas são DEFINIÇÕES, encontradas no dicionário, ou seja; o real significado, independente do que você vê por aí, ok? Vamos manter isso em mente.



Feminismo: "movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens."

Machismo: "atitude de quem não aceita a igualdade entre os gêneros, e acredita que o homem é superior à mulher"

Femismo: "contrário do machismo, acredita que a mulher é superior ao homem"

Humanismo: "doutrina que coloca os homens no centro do universo e das preocupações filosóficas" (esse conceito não tem nada a ver com questões de gênero, mas já ouvi tanta gente dizer que "não é feminista nem machista, é humanista", que não podia deixar de falar dele! Você pode ser feministas e humanista, ou humanista e machista.)

Agora que temos tudo definido, podemos começar de verdade. Então, vamos esclarecer o primeiro ponto: um movimento não é definido pelas suas vertentes extremistas. Extremistas existem em TODOS os movimentos, sociedades, religiões, seja lá o que for. Mas não podemos definir um movimento inteiro com base neles! Vertentes extremistas são exceções, existem e sempre vão existir. Então, concluindo esse ponto, podemos falar dos mitos sobre feminismo. E, novamente, quando digo "feminismo", me refiro ao feminismo real, de acordo com sua definição original.

ATUALIZADO: Na realidade, o feminismo radical não é violento dessa maneira. A violência contra o homem é chamada de "misandria". O feminismo radical é uma vertente particular doas várias do feminismo. Nesse post  algumas correntes foram bem definidas, inclusive o feminismo radical.


"FEMINISTAS ODEIAM OS HOMENS"

Opa, já esclarecemos isso nos conceitos, né? Ninguém aqui quer acabar com os homens não, queremos acabar com o machismo. Quem se acha superior aos homens são aquelas no movimento femista (e, sim, eu sei que é fácil confundir), e quem pratica violência contra os homens são são misândricos. A gente só não quer que o fato de sermos mulheres nos impeça de fazer qualquer coisa, ok?

"FEMINISTAS ODEIAM DEPILAÇÃO, MAQUIAGEM E SAEM MOSTRANDO OS PEITOS"

"Não sou feminista, sou feminina": amiga, olha que maravilha, você pode ser os dois! O feminismo quer que as mulheres sejam livres para serem quem realmente são, sem ter que seguir padrões sociais que nos são impostos. Então, se uma mulher se sente melhor sem depilar e sem usar maquiagem, ótimo! Ela não pode ser julgada por isso. Agora, se outra escolher se depilar e passar maquiagem porque se sente melhor assim, adivinha? ÓTIMO TAMBÉM! Nenhuma mulher é obrigada a nada! Ah, e sobre as feministas que saem sem camisa na Marcha das Vadias: acredito que elas queiram mostrar um ponto importante, que é que assim, independente da roupa que eu estiver usando, meu corpo pertence a mim, e a mim somente.

"FEMINISTAS PROTEGEM BANDIDOS DA PENA DE MORTE MAS SÃO A FAVOR DO ABORTO"

Não, feministas não são a favor do aborto: somos a favor da LEGALIZAÇÃO do aborto. SIM, TEM DIFERENÇA! Ninguém vai sair cortando as barrigas das grávidas na rua e gritando "MORTE AO FETO!" não, tá? Mas é o seguinte: o aborto acontece e vai acontecer todos os dias, independente se você gostar ou não, independente se você achar certo ou não, independente se for legalizado ou não.  O que acontece é que, enquanto não é legalizado, as mulheres procuram métodos loucos e clínicas clandestinas, onde são atendidas por médicos pouco qualificados, em locais sem higiene adequada, sem segurança, e a maioria vai acabar morrendo ou pegando uma infecção no processo. Já com a legalização, as mulheres poderão ser atendidas em clínicas de qualidades, poderão ter acesso a informações completas sobre o processo, médicos qualificados, ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO, ou seja, algo digno, higiênico e seguro. Em alguns países, como no Uruguai, o número de abortos diminuiu após a legalização! Ah, e sobre pena de morte: cada um tem seus princípios e opiniões, mas eu pessoalmente acredito que uma educação (e não digo "dar um livro de matemática ao assassino", como já vi muitos comentando: educação aqui significa respeito pelos outros e noções de uma vida em sociedade mais harmoniosa) de qualidade é bem mais efetiva que uma ameaça de morte.

"FEMINISTAS ODEIAM MULHERES 'BELAS, RECATADAS E DO LAR'"

Como já falei no segundo tópico, nenhuma mulher é obrigada a nada pelo feminismo. Feministas não são contra as mulheres que decidem ficar em casa, cuidando dos filhos e do lar: somos contra a ideia de que apenas essas mulheres tem valor! Simples, não é? Queremos ser valorizadas independente do que escolhermos ser e fazer com nossas vidas!



Ufa, acho que acabamos com esses mitos de uma vez, né?

Agora vou colocar aqui os links de duas postagens do blog Não Aguento Quando que falam do porquê precisamos do feminismo ainda hoje. São duas partes, então aqui é a primeira, e aqui a segunda.  Acho que muita gente não percebo o machismo que está presente em pequenas coisas do dia a dia, coisas que fazemos tão automaticamente que nem percebemos o quão erradas podem ser. Por que minha mãe me mandava sair mais coberta quando fosse sair de noite? Por que ela se preocupava que eu não voltasse pra casa sozinha, mas sim com algum amigO? Por que muitos maridos se orgulham de ajudar suas esposas com as tarefas de casa? Não deviam essas serem deveres de todos os moradores da casa, independente do gênero? Sim, vemos mulheres com necessidades muito maiores em países do Oriente Médio e devemos sim lutar por elas. Mas nossa luta aqui não está terminada. Ainda vivemos, sim, numa sociedade machista, em uma cultura do estupro. Ah, e, falando nisso, quando nós feministas dizemos que "todo homem é um estuprador em potencial", não queremos dizer que todo homem estupraria alguém, ok? Queremos dizer apenas que a sociedade em que esses homens foram criados ainda sustentam valores como a objetificação do corpo da mulher, a submissão da mulher aos desejos de um homem, e a dominação desses. Valores esses que relacionam-se com o estupro.



Agora falando novamente dos objetivos do feminismo, queria esclarecer algo: o feminismo SABE que homens e mulheres são diferentes. As feministas não perderam as aulas de biologia, tá? Não achamos que homens e mulheres são IGUAIS, IDÊNTICOS, mas sim que merecemos direitos iguais. Ninguém deve ser exaltado ou limitado simplesmente por ser de certo gênero, não é?

Sinto que esqueci de falar mil coisas, então talvez eu volte pra atualizar esse post. Sintam-se livres para perguntar e se expressar nos comentários (mas sem ódio, por favor! Vamos procurar ser civilizados e gentis, tá?). Não sou especialista no assunto, mas admito que sou curiosa haha

Por fim, quero deixar o link desse vídeo do buzzfeed, que define o feminismo e desse "guia básico" de feminismo para os homens, que eu achei maravilhoso e muito esclarecedor <3 E também esse textinho pra, sei lá, inspirar? Ou talvez só dar aquele empurrãozinho que faltava pra você, mulher, ter coragem de ser quem você sempre quis ser!

"Tudo puta! Nasceu mulher o defeito é teu. Vadia, vagabunda, piriguéti, promíscua, vulgar, PUTA. Mulher tem que se valorizar. Mulher tem que estar com o corpo no padrão. Mulher tem que ser mulher de verdade. Mas o que são? Isso, puta. Foi assediada, violenta, estuprada? O problema é seu. Engravidou? Não pode abortar. Mas afinal, que culpa a criança tem? Na hora de fazer não reclamou. Se dê o respeito. Não queira merecer um estupro. Não seja puta. Mulher tem que se comportar. Sorria. Não fale alto. Não fique até tarde na rua. Não seja gorda. Mulher tem que estar com o corpo no padrão. Não use roupa muito curta, decotada. Assim está pedindo pra ser estuprada. E se for estuprada a culpa é sua. Você mereceu. Não queira merecer um estupro. Mulher não pode ir pra balada. Mulher não pode beber. Isso é coisa de puta. Se te assediarem a culpa é sua.
Não trepe. Não aborte. Não seja gorda. Não seja magra. Não reclame. Não pergunte. Não exija direitos. Não beba. Não seja lésbica. Não seja feminista. Não faça o que sentir vontade. Não seja puta.
Tá grávida, puta. Abortou, puta. Foi estuprada, puta. Violentada, puta. Assediada, puta. Não quer casar, puta. Não quer homem, puta. É lésbica, puta. É feminista, puta. É mulher, puta.
E você, foi, é ou ainda vai ser? Faça o que quiser. A revolução vem para salvar nossas vidas. Para a sociedade sempre seremos putas. Liberte-se mulher!
Bruna Lira"

Só queria dizer que eu não vim aqui tentar convencer vocês a serem feministas não, por mais que eu acredite que vocês devam ser. Desejo de coração que vocês tenham essa liberdade pra escolherem ser o que querem ser, e acreditarem naquilo que realmente acreditam, sem imposições. Mas realmente acho que se vamos nos posicionar contra ou a favor de algo, devemos pelo menos conhecer aquele "algo" antes, não é?



Espero que tenha sido esclarecedor (isso se alguém chegou ao fim!),
Beijos,


 






sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Resenha | Amor Amargo

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Último ano do colégio: a formatura da estudiosa Alex se aproxima, assim como a promessa feita com seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, de viajarem até o Colorado, local para onde sua mãe estava indo quando morreu em um acidente. O Dia da Viagem se torna cada vez mais próximo, e tudo corre conforme o planejado. Até Cole aparecer. Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade…

Mais uma vez, Jennifer Brown conseguiu partir meu coração com uma história maravilhosamente trágica e realista. Amor Amargo conta a história de Alex, uma garota no último ano do ensino médio, que tem uma pai ausente e dois melhores amigos. Tudo que Alex consegue pensar é em sua viagem para o Colorado com seus amigos, até que o suposto príncipe encantado Cole aparece em sua vida e a muda drasticamente.

O único livro da Jennifer Brown que tinha lido antes desse tinha sido A Lista Negra, que eu amei completamente e até fiz resenha aqui no blog. Ela sempre trata de algum tema polêmico em seus livros. Nesse foi relacionamento abusivo. Foi o primeiro que li sobre o assunto, e, como disse a Pam, do Garota It, todos no mundo deviam ler esse livro. Ele é tão realista, tão honesto! Não é algo fofo, do tipo ó, o amor vai te salvar, mas sim um tapa na cara de todo mundo que acha que entende o que é um relacionamento abusivo. Vou tentar controlar minhas emoções e fazer uma resenha organizadinha pra vocês entenderem.

Se você leu minha resenha de A Rainha Vermelha, deve saber que o meu maior problema com aquele livro foi a falta de emoção. Eu simplesmente não sentia o sentimento (?) dos personagens. Agora, esse livro não podia ter esse problema, senão ninguém conseguiria tirar nada dele. E, ainda bem, ele não teve.

De verdade, estou tendo muita dificuldade pra fazer essa resenha, pra explicar o quanto eu achei esse livro incrível.

Bom, quando pensamos em relacionamento abusivo, podemos pensar em várias coisas: abuso sexual, psicológico, físico e etc. E achamos que entendemos esses relacionamentos. Achamos que se fosse conosco, faríamos diferente. Nunca fui daquelas que dizia ah, mas ela⁄ele devia ter reagido ou ah, como ela⁄ele foi fraca⁄o, tadinha⁄o. Eu achava que entendia. Sempre pensei que não podia ser simples. Mas a verdade é que você não entende completamente a não ser que aconteça com você. Esse livro me fez entender melhor, mas também me fez entender que eu jamais vou entender completamente a não ser que seja a vítima.

Já que não consigo falar direito sobre esse livro, vamos falar dos personagens pra ver se melhora.

E é claro que preciso começar por Cole. Eu me apaixonei por Cole junto com Alex. Sinceramente, mesmo que você saiba o que vai acontecer mais tarde na história, é impossível não se apaixonar por ele, e por eles juntos. Eles se entendem. Cole é, realmente, o namorado perfeito. Aquele que te protege, que te entende, que te acompanha, que é seu melhor amigo... Até ficar irritado. Existem pessoas que descontam naqueles que amam quando estão estressados, aqueles que perdem a cabeça quando estão sentindo algo intenso. Mas Cole. Cole simplesmente não consegue se controlar. Acho que ele é, e digo isso literalmente, um psicopata ou no mínimo bipolar. Ele parece amar Alex genuinamente e parece se sentir realmente arrependido depois de a violentar. Mesmo assim, não consegue se impedir de fazer isso de novo. E o que achei mais impressionante nesse livro foi o fato de eu não odiá-lo. E isso provavelmente se deve ao fato de Alex não conseguir odiá-lo por completo.

Alex vive um conflito interno tão grande depois de sofrer abusos de Cole. Ela o divide em o Cole carinhoso, e o Cole que a assusta. Ela o ama. E por isso é tão difícil mudar o que está acontecendo. Acho que toda vítima de abuso acredita, como Alex, quando depois do primeiro abuso o agressor diz que isso não vai voltar a se repetir. Eu cheguei acreditar no Cole que deixava flores no seu carro, que a levava para a livraria para comprar livros, que fazia músicas com seus poemas, que a chamava de apelidos carinhosos. E então ele volta a agredí-la e você sente raiva. E mais tarde, de alguma maneira, ele te convence de que não vai acontecer mais e consegue te fazer acreditar que a culpa não é dele, mas de Alex. E Alex está convencida disso. Mas é claro que me bateu, eu fui tão idiota! Alex começa a moldar sua vida para agradar Cole. Deixa de encontrar os amigos. A cada movimento seu, tudo que ela consegue pensar é se aquilo vai agradar Cole.

E aí conhecemos os pais de Cole, e isso só torna as coisas piores. É óbvio que o pai de Cole abusa sua mãe e que é por isso que Cole é da maneira que é. E não digo isso como desculpa para ele (pelo menos não agora, mas quando conheci a situação pela primeira vez, como Alex, senti uma pena imensurável desse garoto que tinha mãe e pai, mas que na verdade não tinha), mas já dizia minha avó: para saber como um garoto vai te tratar, olhe como ele trata sua mãe. Cole vê sua mãe como uma figura fraca, idiota, medíocre e estúpida. Ele nem a chama de mãe. E é óbvio que isso é influência de seu pai.

Uma das partes mais interessantes do livro pra mim foi quando Alex encontrou Maria, tanto no cinema quanto no trabalho. E você percebe que Cole abusava de todas as suas namoradas anteriores, que recebeu processos e ordens de restrição por isso, e ainda assim ele continua abusando de Alex, e provavelmente vai abusar das namoradas seguintes. E é aí que você para e percebe que jamais vai entender alguém como ele. Psicopatia é um dos distúrbios que a medicida ainda sabe muito pouco sobre.

Uma das únicas coisas que me deixou frustrada no livro foi como Bethany e Zach reagiram quando descobriram que Alex estava sendo abusada. Mas minhas frustração, novamente, cai nas coisas que achamos que entendemos mas não entendemos. Tudo que eu conseguia pensar era em como eles não entendiam, em como, se fosse eu, tentaria ajudar minha amiga e não excluí-la. O que não entendemos é que não é fácil ajudar alguém que não quer ajuda. Não me entendam mal, gostei muito dos dois amigos. Achei Zach incrível toda vez que encontrava Cole, e Bethany era um doce, e amei o relacionamento dos três.

O que mais me encantou no livro foi realmente o aspecto psicológico e emocional de todos os personagens, e principalmente de Cole. Pelo amor de Deus, depois de ter espancado a garota na rua e sido preso por isso ele tem a coragem de ligar pra ela e pedir perdão. Nesse ponto, Alex e nós, como leitores, já entendemos que o Cole carinhoso existe, mas ele jamais vai ser o suficiente. Não quando o Cole assustador pode surgir a qualquer momento, independentemente o que Alex faça. E talvez essa percepção seja a mais importante do livro todo: Alex tentava fazer tudo certo para agradá-lo e não ser agredida, mas simplesmente não importa o que ela faça, ele vai descontar sua raiva nela. E depois pedir perdão. E então espancá-la de novo. E então escrever músicas para ela. E então enchê-la de socos. E então comprar livros de viagem. E então empurrá-la no chão. E então deixar flores no seu carro. E então chutá-la na barriga, nas costas, no rosto, na cabeça, enquanto ela se encolhe no chão.

Outro ponto interessante do livro é o paralelo entre Cole e a mãe de Alex, que também sofria de algum distúrbio mental e suas maneiras de lidar com as coisas e com as pessoas que amava. E isso leva a melhor qualidade do livro todo: não existem personagens vazios. Cada um deles tem uma personalidade marcante. São pessoas reais. Lidam com os problemas de maneiras reais. Georgia com sua filha, Bethany com sua obsessão pela viagem e por questões ambientais, Zach sendo um tarado e um amor ao mesmo tempo, a distância do pai de Alex... Alguns personagens, como Célia, Ms. Moody, Shannin e os pais de Cole fiquei querendo conhecer mais. Mas mesmo assim, entendo que o pouco contato com outras pessoas também é uma representação do relacionamento abusivo. E assim, maravilhosamento, tudo se encaixa.

E eu termino essa resenha amando mais esse livro do que quando o terminei, há algumas horas.

Espero que tenha conseguido passar o que senti para vocês, e recomendo muuuito esse livro, e também A Lista Negra. Jennifer Brown está entrando para a lista de autores favoritos com certeza.

Beijos,
Jú.